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miércoles, 8 de septiembre de 2010

Suiza declara ilegal la actividad de una empresa dedicada a 'cazar' las descargas P2P

Suiza dentro de Europa


Fuente El País de España.

Suiza declara ilegal la actividad de una empresa dedicada a 'cazar' las descargas P2P

La firma Logistep suministraba a sus clientes las direcciones de los ordenadores sospechosos de intercambiar obras protegidas

El tribunal federal de Suiza ha declarado ilegal la actividad de una empresa privada, Logistep, que se dedicaba, a petición de clientes, a recolectar direcciones IP de ordenadores sospechosos de realizar descargas P2P. El tribunal declara ilegal esta actividad, ordena la apertura de un proceso penal y pide el arresto de su responsable. Logistep recibía encargos de detentadores de derechos que querían cazar el intercambio P2P de las obras. La empresa rastreaba las redes hasta localizar la dirección IP, que suministraba al cliente. Éste abría un procedimiento para indetificar al abonado. En muchos casos, una vez en posesión del dato, remitía una carta al internauta solicitándole una determinada cantidad de dinero a cambio de no iniciar un procedimiento penal.

En 2008, la autoridad suiza responsable de la protección de datos publicó una recomendación por la que la obtención de la identidad del titular de una dirección IP sólo podía hacerse legítimamente en el marco de una investigación penal y consideraba el acudir a empresas privadas un abuso.

Logistep presentó un recurso administrativo contra esta recomendación y el tribunal de primera instancia le dió la razón con el argumento de que "el fin justifica los medios". El recurso de un abogado contra esta sentencia es el que ha llevado al tribunal federal a revocarla argumentando, precisamente, que el fin no justifica los medios y que una empresa privada no puede convertirse en gendarme del P2P. La sentencia ha causado el alborozo entre los colectivos organizados de internautas en Suiza y Francia, ya que la empresa había también recibido encargos de empresas de esta nacionalidad.




Es una buena noticia la fallecida Fibertel en la Argentina no tenía ningún problema en mandar a todo el mundo en cana....


lunes, 17 de septiembre de 2007

Segunda parte de "Domingo Ilegal"

Saga

Marcelo Rubens Paiva

Recebi muitos e-mails de leitores pedindo informações sobre a minha saga em busca do tempo perdido com o suporte da Microsoft. Comprei um computador novo, um Dimension E520, com o Windows Vista Home Basic. Tentei pagar as contas do começo do mês. Mas o certificado digital não estava válido, informou o banco, pois o sistema operacional não fora "homologado". A essa altura, eu descobria que periféricos ou seus drivers não eram reconhecidos pelo Windows Vista. Sem contar que não há corretor ortográfico em português no Windows Mail, o substituto do Outlook, cujo catálogo de endereços não dialoga com versões anteriores do Word.

Passei a semana dedicado ao problema, pendurado ao telefone, esperando uma saída. Sem contar a ida a bancos, manipulando contas e papel-moeda, atividade que eu achava extinta pelo mesmo meteoro que caiu em Yucatán no México e acabou com o Cretáceo.

O suporte do fabricante do computador me sugeriu pedir à Microsoft uma licença de downgrade - como o nome sugere, o oposto do upgrade -, já que há no problemas de compatibilidade comigo. Como algumas mulheres já me disseram. Uma solução simples. Eu pediria para voltar para o Windows XP. Seria como sugerir ao Ronaldo Fenômeno que, se ele quisesse jogar, deveria voltar para o São Cristóvão, time carioca que o revelou.

Na terça-feira, o suporte da Microsoft me deixou uma hora e meia esperando. Imaginei que a saga seria semelhante às travessuras praticadas por Amyr Klink. Na quarta, me atendeu em minutos. Então, meu mundo começou a girar, como num surto de labirintite.

Sim, claro, a Microsoft me daria licença para um downgrade, e ainda perguntaram se eu queria CD ou faria tudo pela internet. Me passaram para os especialistas. Por instantes, achei a empresa generosa e sábia. Entendi o seu sucesso. Até me perguntarem qual Windows Vista tinha vindo com o computador novo. O Home Basic, informei. "Ah... Infelizmente, não fazemos downgrade do Home Basic, só do empresarial." Silêncio constrangedor. Perguntei se era justo, aquele cara ricaço, o Bill Gates, que ganha em dólar, cara de gente boa, fazer isso com um escritor dos trópicos. E qual a solução para os meus problemas. "Desinstalar o Vista e instalar o XP." Sim, eu tenho um XP do meu computador antigo. Posso instalá-lo no novo? "Não, ele só é liberado para o antigo." Mas vocês podem liberá-lo para o novo, é cópia oficial, comprada, registrada e juramentada? "Não podemos, não é o procedimento." Silêncio. Outro. A solução seria comprar um outro XP, me sugeriu o atendente, que me passou para o departamento de vendas. Valor? R$ 450. Perguntei o que o Bill Gates faria com o dinheirinho suado de um escritor do Terceiro Mundo, a feira?

Lembrei-me do personagem Morsa, do livro Mãos de Cavalo (Daniel Galera), que ensinou propositalmente ordens de comandos trocadas para dois dobermanns (ou seria dois dobermenn?) Aos gritos de "pega, pega!" e "morde!", os cachorros recuavam, enfiavam o rabo amputado entre as pernas e sumiam pela casa. Aos gritos de "senta!", "deita!", "parado!" ou "amigo!", eles atacavam o primeiro à frente.

Voltei para o maior fabricante de computadores do mundo, cujos atendentes falam com um simpático sotaque gaúcho. Contei o meu problema e disse que eu queria devolver o computador. "Devoluções só nos sete primeiros dias." Mas descobri os problemas depois. "Não podemos fazer nada." Então, pedi para trocarem o meu computador. E sugeri que a empresa me enviasse disquetes do Windows XP. Não podem, pois eles não trabalham mais com o XP. Então, perguntei onde eu errei, pois era evidente que a culpa era minha. "O senhor deveria ter se informado antes da compra das compatibilidades do Windows Vista", me disse em gauchês. Mas o que adiantaria, se vocês só trabalham com o Vista?

É. Eu deveria ter feito um genoma dos meus pais, antes de dar os primeiros passos. Eu deveria me certificar de que o mundo me entenderia, antes de nascer. Eu deveria ter certeza de que eu entenderia as mulheres, antes de começar a me apaixonar por algumas delas.

O que você faria? Encostar o computador novinho em folha e recuperar o velho?

No dia 7 de setembro, fui jurado com Marcelo Mirisola e Anselmo Bactéria de um concurso de poesia promovido pelo Espaço Parlapatões. Foram declamadas ao vivo no teatro, numa noite em que se abriu espaço para a camada mais desprestigiada (e no entanto mais próxima dos deuses) do caldo cultural contemporâneo. Revelou que a poesia está aqui, que há poetas de todos os gêneros e estilos em atividade: a dádiva não morreu. Ganhou Espantalho Descarado, de Marcelo Montenegro. A pontuação é minha. Por que votei nela? Por que será?

"Ando assim, tipo um erro flácido ambulante, sem êxito, hesitante, disco riscado fora do catálogo no pó do instante. Ando assim oco, uma crosta, vodu cansado, que com a sorte nem mais dialoga - diamante. Ando assim, mais opaco que olímpico, esquivo, íntimo, insípido, um mastodonte pensando desamparado, aspirando a paralelepípedo. Assim assim, meio Buster Keaton, um tanto de lágrima hasteando o riso. Ando assim, raso, indiferente, me divertindo um bocado. Eu ando mijando no poste, porque o banheiro está sempre lotado."

Na peça A Festa de Abigaiú, de Mike Leigh, em cartaz no Teatro Cultura Inglesa (direção Mauro Védia), casais vizinhos se encontram para bebericar e escutar Demis Roussos e Tom Jones, enquanto adolescentes dão uma festa punk na casa ao lado. O dilema é descobrir em qual casa a tensão é maior, naquela em que as neuroses são abafadas por uma opressora moral conservadora, cujos valores trabalho-casamento estabelecem princípios de felicidade, ou na que jovens extravasam dançando Sex Pistols e The Clash. Aliás, a arte de um grupo não é conseqüência do padrão do anterior (e para contestá-lo)?

Leigh cria um conflito baseado num realismo social extremo. Os diálogos rotineiros, formais, típicos de um encontro de pessoas comuns que mal se conhecem, são tão naturalistas, que se tornam surreais e cômicos. Rimos de quão banais somos. Como falar ao telefone com o suporte técnico de uma empresa.

Alguém se interessa por um Dimension E520 Core 2 Duo com Windows Vista Basic? É bonitinho. E pelo menos musiquinha toca.
Si alguien quiere hacer la traducción, envíela a:

enviolibros#gmail.com



sábado, 15 de septiembre de 2007

Domingo ilegal por Macelo Rubens Paiva

PIRATARIA LEGAL
Marcelo Rubens Paiva

Domingo ilegal

"Como muitos, tirei o domingo para pagar contas. No meu Dimension E520 novinho, com processador novo e Windows Vista Home Basic. Não consegui. O certificado digital não estava válido. Erro no PTA da Verisign, informou o site do banco. Liguei para ele. Surpresa. Este sistema operacional não fora ‘homologado’ ainda. ‘Ainda? O programa já foi lançado há tempos.’ Silêncio. ‘Então, como faço para pagar as contas do mês?’ Utilizar o seu sistema operacional antigo, instalado no computador antigo, sugeriu. ‘Mas o antigo a essa hora serve a desejos secretos de algum adolescente na periferia da cidade.’ Silêncio. O senhor terá de se encaminhar à sua agência, respondeu. ‘Ela existe ainda? Pensei que bancos estivessem extintos pela revolução digital. É no mesmo endereço? Tem estacionamento? Tem pessoas lá dentro, ou bonequinhos, pontos de exclamação que falam, hologramas, computadores-robôs?’

Liguei para o fabricante do computador novo, o maior do mundo. Realmente, o Windows Vista tem dado muitos problemas. Perguntei então por que ‘têm vendido’ computadores com um sistema operacional que ‘tem dado’ muitos problemas? Me foi dito que todo sistema operacional lançado dá problemas nos primeiros meses.

Liguei para a Microsoft. A essa altura, descobri que quase todos os meus periféricos, do Bluetooth ao leitor de barras de código digital, passando pelo celular, não eram reconhecidos pelo novo Windows. Nem os drivers de outros periféricos. Sem contar que não há corretor ortográfico em português no Windows Mail, que não dialoga com versões anteriores do Office. Perguntei como a Microsoft lança um programa que não reconhece o passado. Fiquei sem resposta. Então, perguntei se a empresa lançou um sistema operacional já com Alzheimer. Continuei sem resposta. Sugeri que a Microsoft renomeasse o sistema operacional para Windows Vista Embaçada, Windows Tô Nem Aí, Windows Não Me Lembro de Nada. Sintomático. Para esses nerds que comandam as nossas vidas, só existe o futuro.

Voltei a falar com o suporte do fabricante. Senhor, interrompeu o operador, intimidado pelo meu surto de cidadão trabalhador que paga os impostos e que acaba de descobrir que levou um toco de um dos homens mais ricos do mundo. Senhor, desinstale o Windows Vista e instale um XP. ‘Mas passei para frente o meu XP, capisce?!’ Então, um silêncio abismal nos uniu. ‘A não ser que eu compre um programa... pi... tenho medo de falar a palavra... A ligação está sendo gravada?’ O operador continuou mudo.

Então, combinei, diria a palavra com seis letras, e ele desligaria a seguir, se concordasse. ‘Você sugere que eu arrume um programa pê de pato, i de ignorante, erre de rato, a de ator, tê de tesoura, a de ator?’ Caiu a ligação.

Sem conseguir pagar as contas, parti para a jornada de muitos brasileiros num domingo de sol: fui ao estádio, assistir ao clássico Corinthians (sem técnico, sem o craque William, rondando a zona de rebaixamento) e Santos (embalado, com o melhor técnico do País). Como bom corintiano, atendi aos apelos da Fiel, para ajudar o timão a sair do atoleiro. Eu sabia que o estádio estaria vazio.

Surpresa. Não havia ingressos. Pararam de vendê-lo ao meio-dia, por questões de segurança (o jogo era às 16 h). Público anunciado: 10 mil pagantes. E milhares de torcedores do lado de fora se perguntando o que estava acontecendo. Sim. Um jogo vazio, com torcedores dispostos a pagar para entrar, mas nada de bilheterias abertas. Perguntei ao policial em comando qual era a solução. É comprar de cambistas, não é? Ele sorriu envergonhado.

Percebendo o contra-senso, os cambistas passaram a vender os poucos ingressos a R$ 70. O clima pesou. Grupos de torcedores se acumularam nos portões. ‘Ih, ih, ih, nós vamos invadir.’ Policiais sacaram as armas. ‘El, el, el, ingressos pra Fiel.’ Uma bomba de gás foi jogada. Correria. Me retirei quando vi policiais com rifles apontados (balas de borracha?) A pancadaria comeu solta na Dr. Arnaldo. A violência que pretendiam evitar foi alimentada pelo procedimento adotado.

Tenho uma sugestão ao comando da Polícia Militar, aos organizadores do Campeonato Brasileiro, ao Ministério Público e aos times envolvidos. Por questões de segurança, eliminem de vez a figura do torcedor e descartem o público. Acabarão com os problemas de cambistas, ingressos falsos, invasões de gramado e bicões.

Bem, não vi o jogo. Fui ao Jockey Club. Parei o carro dentro das instalações. Assisti às corridas sentado em uma mesa no gramado, tomando sorvete com caldas. Fui tão bem atendido, que me senti dono de um haras. Ah, sim, é de graça. Se é verdade que o turfe no Brasil já foi mais popular do que o futebol, tem chances de voltar a ser.

Terminei o domingo assistindo a um dos documentários mais controversos e perturbadores, A Ponte, sobre os suicídios ocorridos na paisagem mais fotografada do planeta, a ponte Golden Gate, de São Francisco, de cujo batente se joga uma pessoas a cada duas semanas, em média.

Tudo no filme é surreal. Câmeras passaram o ano de 2004 registrando o movimento de pedestres (3 milhões de turistas por ano). Quando encontravam um personagem suspeito (geralmente um solitário chorando no batente, pensativo, com o olhar para o vazio), fixavam as lentes nele. Assim, registraram 23 quedas para a morte. Algumas surpreendentes, como a de um homem rindo no celular que, logo depois, se joga. Outras espetaculares, como a do roqueiro Gerry, que pontua o documentário, pois fica muito tempo refletindo, até subir, abrir os braços e fazer uma pirueta no ar para a morte.

Seu diretor, Eric Steel, é acusado de oportunista. Mórbido, deixava câmeras em locais estratégicos e mudava de fita a cada hora. Funde imagens lindas do famoso ‘fog’ com pelicanos voando. Eventualmente, alguém desaba. Evitou seis suicídios, já que a regra da equipe era ligar para a polícia, assim que visse algum suspeito.

A ponte e o seu vão de 69 metros é o destino preferido de muitos suicidas. Desde de 1937, foram registrados mais de 1.200 mortes. Depressão, solidão, doenças mentais e vícios com drogas são lembrados como possíveis motivos. E por que alguém escolhe justamente uma das paisagens mais fascinantes, para entregar os pontos? Quer se despedir com um pouco de beleza e muitas testemunhas?"



Tomado de:

Obervatorio de la prensa.


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